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Mostrando postagens de Abril, 2013

O pretexto da narrativa sob(re) a gestalt (“As Aventuras de Pi” do diretor Ang Lee)

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Imagens com profundidade bem focada, paisagens naturais, personagens comuns e um conflito raro são o pano de fundo de “As Aventuras de Pi”. Porém, a configuração do conjunto de cenas sequenciais e escolha das imagens - cronologicamente convencional - desfigura a formatação humana embora seja retomada no desfecho. A relação homem-animal vem enfatizar porque nos diferenciamos das outras espécies, por exemplo: enquanto o Tigre não é capaz de elaborar um sistema que o leve a subir na lateral do barco à fim de salvar-se, após sua tentativa frustrada e instintiva de capturar tubarões, o homem racional como é, consegue criar estratégias que permitam com maior probabilidade a sua permanência à vida. Pi repensa o conceito de homem no mundo quando a fome o domina. É preciso se renovar para continuar insistindo em viver. Ele já não distingue sonho de real e as imagens do mar em continuidade ao céu e as nuvens dialogam diretamente com as proposições do roteiro. Nas imagens quase sempre não é…

como o tempo torna-se imagem? (sobre haikai de roberto alvim)

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A peça haikai de Roberto Alvim não tem 30 minutos, ou 29 ou 28. Ela não está no tempo. Está no eterno, atualizando-se à cada sentido que se expande e a “espera”.
O convite ao silêncio e imobilidade, verbalmente é feito na recepção, o público de súbito se retira do seu lugar comum, transferindo a possibilidade de outros sentidos não convencionados a se ampliarem. Acomodados na escuridão, esta os convida à provar o incerto, o imprevisto, o nada. O som agonizante, impactadamente, desterritorializa o publico e os coloca em um lugar desconhecido e surge então a figura de um homem, a qual nos apegamos por identificação para em seguida nos perdermos nas fragmentações da gramática emitidas pelo mesmo e aqui: o voo poderá ser feito, não estamos mais no mundo. A silhueta da mulher aparece, sua imagem abre um corte no espaço, suas vozes subjetiva outras forças que não apenas demasiado humanas. A mulher, a outra mulher e o homem triangulam o espaço, mas há um desejo destes in/conscientes fortí…