Entre Murmúrios e Lágrimas

Murmurava há pouco para o meu bebê e ele caiu num profundo e delicioso sono.

Uma vez, dentro do centro de detenção para menores, numa oficina de teatro, num murmúrio de um singelo exercício de teatro, os três detentos, os únicos da turma que quiseram participar, choraram. Ficaram envergonhados, pediram desculpas e um deles me disse:

"Num sei que que me deu, repiei intero e apertô a garganta assim, desculpa"

O outro:

"Credo nunca tinha visto um tróço desses, que doideira, da vontade de chorar neh piá"

E o último respondeu.

"Quase que eu choro também, mas sô homem neh"


É um mistério para mim o motivo de suas lágrimas e da melancolia que se instaurou aquele dia... Mas viajo pensando em quanta coisa poderia estar perneando o universo daqueles meninos. 

A saudade do filho. Sim. O primeiro tem 16 anos, é casado e já tem um filho. Seria vontade de abraçar a mãe, de voltar pro útero, de parar o tempo, da saudade de puxar o gatilho, como muitos deles disseram ter...


Para eles eu não tenho a menor ideia do que lhes perturbou os sentidos!

O que passou não sei. Mas para mim, murmurar nunca mais será um simples exercício vocal. Murmurar para mim tornou-se um ato de amar!

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